tosca descrição da forma do tempo considerando cor, linha, sentimento, ato, pulso e reação

11/01/2014

“- Talvez alguma coisa tenha acontecido comigo

– Talvez esteja acontecendo…

Eu disse aquilo querendo que ele entendesse que as coisas constantemente acontecem, e que qualquer coisa que ele estivesse re-processando, voltava a acontecer”

Eu sentia vontade de confirmar com as pessoas (ou faze-las perceber) que o tempo, enquanto passava, também estava parado. Há em mim uma curiosidade sobre as várias interpretações que surgem de questões sensoriais como o passar do tempo. Quando as interpretações são quase antagônicas, ou quando são muitas, divergentes, sinto que a realidade é frágil, e nesse susto  eu me sinto renovado. Tenho uma vontade de fazer não se entender um canto ou outro para que talvez, num conflito de interpretações, alguma estrutura se mostre frágil.

A realidade torna a se mostrar frágil quando percebo a quantidade de fatores e influencias que sustentam a possibilidade da existência. A Terra gira em torno do Sol, que também se move pela Via Láctea que por sua vez também não está estática. Movimentos que vão muito além dos limites da imaginação, os quais o ser humano talvez nunca vislumbre, estão, de alguma forma, influenciando a possibilidade da vida.

 

(substituir com citacao)

Os sentidos geram sinais que aprendemos a interpretar ao crescer e que, assim como qualquer outra ação repetida, acaba por gerar um hábito. O hábito de interpretar o sinal de determinado fenomeno como “o passar do tempo” ou “meus pés no chão”.

 

Se meu olhar paira sobre dunas, não há como deixar de fora o fator principal que as dá forma: o vento. Quase que como uma impressão, as dunas mostram o movimento do vento. Como numa foto em “longa-exposição”, absorvem longos períodos do movimento do ar, sendo desmontadas e remontadas lentamente pela brisa. O mesmo acontece com o resto, quando meu olhar é atraído por algo, tendo ao vislumbre dos fatores que “imprimem” aquela imagem.

 

 

Os motivos “aparecem”, não saberia dizer se são apenas memórias, imagens mentais que acabam por gerá-los, ou se um conglomerado de pensamentos que revela uma sala, colunas, ou um sujeito na floresta. Assim como a duna, tendo a vê-los como uma impressão, um resultado de influências externas e internas.

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eeeeeeee

03/10/2014

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Apesar dos pesares, eu deslizei por eiras e beiras atrás de uma válvula de escape pra tudo isso que eu segurei aqui, pro tempo que eu tinha que (ou queria), pacientemente, esperar por você numa antesala imaginária onde eu deveria me distrair até quando tivesse de ser. Compenetrado, encarava a porta como se pudesse ver através dela, de postura firme, me mantinha a postos para qualquer coisa da vez que de lá saísse, como um cão, que aguarda.

Foi sobre se extender, sobre se esticar e permanecer num movimento mesmo que impulsionado apenas por ele mesmo, sem estalos, sem cliques, sem nada súbito, até mesmo o começo já parecia um impulso que se estendia por antes de si. E, ao mesmo tempo que transbordo em querer dizer tudo que foi construído durante essa tração, trago também a sensação de querer me silenciar, reescrever um milhão de vezes sem usar nenhuma letra dentro dos meus pensamentos até não precisar um “a” pra eu saber que te quero bem, tão bem que, fora do sentido ou da norma, sei separar o que é você do que é você-dentro-de-mim, e assim me enxergar em plena paz quando te vejo lá longe.

Agora abandono meu posto, deixo pra trás só a poeira, trazendo tudo no peito, pra poder enfim voltar ao campo aberto e gastar-me nas coisas que não envolvem tanta profundidade assim. Como um cão, que corre sem motivo.

 


Kunda

12/18/2013

Era conhecedora do tempo, e por consequência, das coisas todas. Fui recebido num altiplano de clima desértico, que, apesar de parecer infinito ao olho, possuía limites estritos. Não havia nada, ninguém, só o chão sem fim que findava logo ali no horizonte por onde andei durante incontáveis anos, sem rumo.

Sua folhagem me lembrava a de meu amor, e seu tronco havia se erguido durante eras sem fim. Tinha gosto de mar com açúcar, que apesar de contrariar, causava arrepios na língua. Cheiro feito de puro sonhar, onde cada mudança do vento surtia seu efeito. O calor que sentia ao me aproximar era ameno, de deitar-se e não ver o tempo passar.


o fim que morava perto lá de casa

12/18/2013

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do momento:

Foi um estalo qualquer entre o isqueiro aceso por trás do vidro verde que descansava sobre a mesa e aquela chuva que caiu de repente.

Eu já carregava comigo certa quantia de discernimento para situações emergenciais e acabei fazendo uso de uns dois terços indevidamente, digo, o momento não era de se desdenhar e necessitava realmente de uma medida, mas mesmo assim… Segui cambaleando por entre os tecidos verdes das folhas e me agarrei numa certeza qualquer só pra sentir o chão, não dava mais pra ficar só navegando na maré de te olhar nos olhos de relance. Já que não tem o que esquecer me poupo ao menos de um trabalho, o pranto que não cessava pelo tanto que havia em mim quietou bem logo diante da falta que vi refletir na retina do touro enfurecido.

das vísceras:

Quanta terra é preciso pra que haja onde queimar?

O néctar que escorria do ser longilíneo passando a frente não era qualquer melado, o perfume já dizia aos ares quem veio e d’onde vinha. Mel desses não é feito em colmeia, sai direto de boas confluências, tem gosto de vazão à dois e esparrama por onde se vai um fino e brilhoso véu que se estende pelo chão e permeia quem por ele passa.

Eu vim atrás do teu grunhido, por entre os dentes.

do cru:

Enquanto não muda a estação, eu sigo plantando jasmins, desejo que as flores me cheguem quiçá antes do tempo. A mudança e o “aperfeiçoamento dos instrumentos de controle” me fizeram bem até certo ponto, onde precisei parar e deixar o peso dos almejos no chão. Sigo caminhando com pouca fé na mudança, mas pelo menos assim dá pra rir.

do amor (livre):

“eu tô falando é de atenção, que dá cola ao coração” e não de qualquer outra coisa.

que se foda com quem você troca fluidos, sentimentos ou palavras.


da mudança;

10/11/2013

a limpeza, que sempre começa pelo quarto, se estendeu pela sala e esguiou-se até o escritório, passando pelos arquivos de trabalho, chegou no depósito devagarinho e de lá não sobrou nada.
sabendo que eu já reclamara de como limpeza termina em imersão, saracutiou do topo da casa num salto direto nas memórias, e de lá varreu tudo, sobraram apenas móveis que construí na infância. como não resisti, – posto que já não me lembrava – esfregou o coração, deixou os pulmões de molho, lustrou o cerebelo e escoou todo o sangue venoso. 
e o espaço que se abriu, preencheu. 

“…sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar”

[ da mudança I ]

 

ouvi de alguma parte de mim que o vazio é mais prejudicial quando não é percebido, quando há a ilusão de preenchimento mas faltam muitos pequenos espaços (como num queijo suíço), quando só existe por desleixo. 
não é assim com o grande vazio, o espaço vazio maciço impõe sua presença, tão drásticamente quanto uma montanha e tão dúbia quanto uma nuvem, que desaparece no movimento do sopro. 
o momento é mudança e quem vai nesse tufão precisa de espaço, pra se movimentar e pra deixar entrar, seja lá o que for, vindo ou não pra ficar.

largar das quinquilharias humanas que nos habitam, dentro, fora e nos entremeios, sentar à beira dos trilhos, observar o balanço da proa.

[ da mudança II ]


texto que postei no Polígono Letrário no facebook, esqueci, e achei agora.

10/04/2013

Passou-me pela cabeça desistir, correr lá pra fora tropeçando na pressa e não voltar, mas decidi ficar, já que dava menos trabalho e causava menos alarde. Sentei-me numa cadeira ao canto da sala, para que os poucos que pudessem me perceber não ficassem incomodados e comecei a rabiscar o caderno num lento movimento circular… Enquanto isso, do outro canto da sala, um ser longilíneo e leve surge detrás de um pilar, sobe no palanque e se contorce ao comando do relógio.

O primeiro riscar marca um ombro, desce lentamente pelo braço, terminando com uma pequena volta ao demarcar a dobra da mão apoiada, e no começo da cintura é COITO INTERROMPIDO! Próxima pose. A calma ia sendo mantida enquanto toda e qualquer conexão era cortada no início, as dinâmicas posições – rápidas e truculentas – me preocupavam mais com perfecionismos do que davam abertura. Não durou muito, as estáticas posições de longo tempo chegaram num lampejo e eu nem vi.

Toquei em tuas bordas e superfícies como – metafórica e físicamente – o grafite desliza sobre o papel, explorei as dimensões dos teus ângulos obtusos e agudos, dos teus vértices mais fluidos, das tuas curvas em frequência. Depois de três ou quatro idas e vindas nas tuas formas, desgastado e com a pele fervendo, não sabia mais se tinha condições, resolvi que era hora para uma pausa.

Peguei a mochila e tirei de lá só o que se fazia indispénsável: Isqueiro, a garrafa d’água e o baseado. O sol das 10 e tanto começou a arder enquanto meu corpo balançava no ritmo da corrida, uf-uf-uf-uf-pá! Cheguei! Eu quis dormir por ali mesmo, depois das duas primeiras tragadas se equilibrar fica bem desafiador, tentar se levantar, por isso continuei lá. As folhas no vento geravam usual estardalhaço sonoro, as raízes curvadas acariciando a coluna, as flores no chão silenciavam os cheiros… E eu voltando, depois de um tempo.

Não por ali, e não por aqui. Tentei decifrar, introspecto, o que me fizera não sustentar o tempo necessario pra desmistificar-te, só consegui concluir que me espantei com um sentimento que não haviamos, ainda, compartilhado:

O carinho mais intenso que já te fiz foi de lápis, num papel meio amassado.


Sentindo, toró. (A noite da noite escura)

06/22/2013

Eu quero gritar na cabeça do mundo tudo que eu sinto em você, mas quero dizer tudo isso de um jeito que só a gente vai compreender: o que quer dizer? E a lua tão perto de cheia te trás pra mim, e o ponto em que tu e teu bem passam, assim, cantando e visando um futuro qualquer. De brasa eu me faço pra desentupir os caminhos pelos quais tu podia chegar, mas servem de que os trilhos lá trilhados se o trem que eu espero não há de passar? E a gente ainda nessa de querer calado e, depois, bagunçado, só vir reclamar… Declaro à mim mesmo meu amor por ti, pra ver se eu me vejo no olho de mais alguém e poder encerrar essa bruta vontade de te involucrar na minha meia-verdade.


Evolve or Dissolve?

01/26/2013

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Junto, junto, coladinho. Deixa a peteca cair! Larga logo desse peso e deixa ir todo o você, deixa escorrer. Se mistura na água do Eu, que nunca saiu do lugar, que finge que viu tudo mudar. Estar no mundão é se virar, e o que conta é se soltar, sem medo de se machucar, tô te pedindo, vamos mudar! Olhou no olho alheio sem tentar se perceber, cadê? Sabe que é fácil reviver o sentimento esquecido, de união, subjeção, vai lá! Faz lá o bem ao teu amigo, essa missão tá sim contigo, é se cuidar.

Espremendo esse oceano todo numa gota só, você entrou nesse joguinho sabendo no que ia dar, a gente vem de outro lugar! Re-União de mim, irmãos, reencontro dos anciãos, pra nos lembrar de quem eu sou, indivisível, inteiro e são. Juntar nosso povo pra lembrar em grupo, construir em conjunto asas, saciar vontade, passa, pra matar saudade, casa.

Enfermidade é viver concreto, pólvora e metal, pouco ar, pouca água, pouco sol e pouco sal.

A VIDA VEM

QUE NEM

TOBOÁGUA

(03:03)


Família Y

12/19/2012

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Atropela sem dó.

Passa um tempo perigoso, intenso e pouco volumoso. Passa sem profundidade, esbarra na minha tristonha vontade de ti e cambaleia, tonto, por entre os poucos pensamentos que me permito esconder.

Difícil definir, mas me arrisco aqui declarando: Tenho um coração feito de fluido não-newtoniano.

E todo dia útil é um treino de guerra, um período pra expor essa forma à tua agressão, ao peso que aplica a demonstração. Te peço desculpas do fundo, te peço perdão, porque calado segui, enrigeci, vacilo da omissão. Nossa tia, satélite, que era sinal de aproximação, virou saudade, virou paixão.

Esse, aquele

a q u i

O acaso, lá em casa, chama-se acássio.

E pra ficar bem claro:

É que nunca era eu + você né, sempre a gente =. Mas é que cada x mais, parece que eu .


10/31/2012

Queria dizer que nisto que se segue, “Eu” não representa de qualquer forma o meu ser, “Eu” é quem lê ou quem nunca vai ler, é um indivíduo qualquer que exista e se reconheça como “Eu”. No que segue, “Você” também não representa de qualquer forma o leitor ou qualquer pessoa específica, “Você” aqui é “O outro”, um indivíduo que se reconhece como “Eu” tanto quanto “Você”.

Eu nasci pra te ver.