11/12/2015

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texto 1

texto 2


as historias e os loop

10/25/2015

meu amor, quando nossos pais morrerem cê me diz do que adiantou

não segure sua vontade de me lembrar da minha pífia caminhada, de me abrir, de me ler e me desconsiderar

com seus bróder na calada da tarde de um sábado tosco, ri

mas não desacredita.

seja eu quem for, seja como for: a minha história não fez caráter, mas deu jogo de cintura

em cada curva eu podia ter virado

pra outro lado, minha decisão foi

e sempre será: ser fiel, ir a montanha, sentir o coração e esquecer de quem eu sou.


autofagia é o escambau

10/11/2015

giacometti, atelier, 1932

(giacometti, sei la quando)

Queria eu ser sucinto ou lúcido como dizes, mas meu tempo tem sido cada vez menos dedicado ao ser em mim que quer estar em contato com o resto do mundo, por enquanto. Às vezes sinto como se eu alternasse: de dentro pra fora e de fora pra dentro, preso num ciclo, numa dança interminável de expelir-me pra depois me engolir de novo. Numa ou outra coisa da vida eu consigo parar de pensar tanto nas minhas próprias interpretações da experiência. Não é por nada não, capitã, mas eu gostaria de saber. Não apenas saber alguma especificidade dita em palavras questionáveis, eu gostaria de saber mesmo, de saber olhando no seu olho, no meio do seu abismo, pela janela da sua casa: quero te ver, mas quero te ver de tanto olhar, olhar até sumir.


foi lá no tororó que eu te conheci

09/28/2015

Hoje eu tenho 14 anos, hoje quer dizer agora. Choro, não como quem chora em desespero. Eu volto pra frente daquele espelho gigantesco, praquela vontade de sair por trás dele pra quem sabe encontrar o meio do nada. Hoje eu tenho 23 anos, hoje quer dizer por enquanto. Tão por enquanto quanto todo o resto de coisas com as quais você não se importa. É lindo pra quem vê de longe, é horrível pra quem vê de dentro e pra você não é nada. Não é como se qualquer parte disso fizesse qualquer sentido pra mim, eu tô sem armamento, completamente inconsequente, como um carneiro eu me aproximo pulando de cabeça, na parede. Hoje nada pode ser, tudo não é, hoje quer dizer que eu não permito, hoje nenhuma parte dessa bendita coisa que é estar aqui pensando em você vai poder se segurar. A partir daqui eu posso dizer tudo que eu precisar, porque do zero que se começa a contagem. Então conto, conto os encantos e canto quando posso, mas não sempre quando quero, e quero muito. Cantar qualquer coisa quase em silencio enquanto sua bochecha encosta na minha. Eu hoje quis te seduzir, hoje quer dizer nunca, mas sempre que eu te vejo eu te vejo e te vendo minha vida se revira toda por dentro e começa a sentir vontade de gritar, um vulcão sai da minha garganta disparando uma quantidade enorme de qualquer coisa que eu tenha pra falar. Hoje eu tenho que te dizer, hoje quer dizer que eu não me apaixonei, e quando eu consigo pensar em como eu agora só consigo acreditar em uma unica coisa e como isso me irrita e me cega e me faz querer deixar de existir, por mais que eu odeie a idéia, quando eu consigo pensar nisso eu não to pensando em você. No resto do tempo as coisas todas tomam a forma de tudo que eu não toquei, de tudo que eu não te vi sentir, de tudo que eu falo aqui atoa pro vento. Tanto faz qualquer coisa dessas, porque você sabe o quanto é chato saber que você nunca vai vir aqui e me ler reclamando da vida no ouvido de qualquer um que passasse. Eu não vou querer tocar seu cabelo, eu não vou querer entender seu sorriso, eu não vou querer saber mais de você, eu não vou querer passar o dia com você, eu não vou querer ficar juntinho de você, eu não vou querer tocar a sua pele, eu não vou querer transar com você, eu não vou querer te abraçar e cheirar seu cangote, eu não vou querer te morder, eu não vou querer te ouvir dando um grito por ter se assustado, eu não vou querer olhar no seu olho por tanto tempo, eu não vou querer ser a coisa que você quer.

Amém.

Tu lembra como é sentir tanta mas tanta que se sente capaz de engolir o mundo se fosse preciso? Eu quero isso aqui bem registrado eu quero isso aqui escrito num papel enterrado num lugar onde eu nunca vou conseguir achar, porque eu vou me envergonhar e vou querer sumir, mas eu não devo e não posso mais. Eu quero isso aqui tão gravado em mim, eu quero isso aqui mil vezes. Eu quero sentir essa vontade de novo, e de novo, e de novo, e quero morrer de te querer se for preciso pra me sentir satisfeito.

No final a gente só quer o próprio bem.


voice memo: 7

09/14/2015

meu corpo é feito de mim

com meus olhos, vejo o mundo

nesse mundo

imagino coisas

nessas coisas

vejo sentido.


O jogo é mais chato que não cumprir objetivos

09/10/2015

Nikolai me olha do canto do quarto, com a pena na boca e um paletó felpudo. Porque não bolar um plano? Melhor ainda um cilíndrico. Esse papo as vezes fica sem graça, não sou muito de baile de facas, nada faz valer a pena nada disso, nem a cor do seu olho. Eu to te vendo, ou to tentando: vê. Sinto meu rosto tomar o formato do teu rosto, de surpresa, rio como você enquanto digo uma coisa qualquer: sopro a fumaça com a sua boca, suas maçãs no meu crânio, fico com raiva disso. Uma vez um maluco me disse que eu tinha replicado a “vibe” dele. Me sinto um espelho depois que vi, replico: porem invirto. Só, então valeu. Faz uma coisa pra mim? Desacredita nessas bobagens.

Xi, não é que eu vejo essa cena rebobinando? O equilíbrio do cuidado mora entre esquecer de si e ser lembrado. Eu dava aquele rolê de novo, sim. Eu sei que você passava, mas eu daria aquele rolê sozinho também. A areia de praia se contorceu e dançou na nossa frente, você morreu. Você as vezes morre, mesmo, um dia eu também vou morrer, depois de ver você deixar tantos corpos que não são o meu,  um dia eu me abandono. Ei, me diz aquilo de novo, dá uma corda, ou deixa minha pilha acabar, me liga, se solta. Nunca soube de você, morri na luta. Segui caminhando.


Bob-isse muk à milhão 

09/03/2015

não por vontade de fazer um poema
mas só porque hoje te olhei
te olhei pertinho do reflexo da água no concreto
junto de uma porta branca, que dobra
procurei no google 70 palavras pra te dizer, tentei até achar uma frase
nem tudo que eu vi valeu à pena mas ainda assim notei: você existe tanto
porque não caberia na minha cabeça
é pungente esbarrar desconsertado com você, abre vias esvazia meus pulmões
a internet toda não caberia no pedaço da minha mão que te pertence
eu queria ser um inseto, viscoso
ouvir distorções causadas pelo corte do vento
a porta desdobra pra fechar
assim como a andorinha, a facada rasga
você me leva na cozinha pra me oferecer uma água
milenar mesmo é a diagonal
tenho medo de você
o causo é a força motriz do papo
a fumaça me levou daqui praí
você parece breu
minha cabeça para
suas palavras me convenceram
minha cabeça nunca para, mas desacelera
um pouco mais do que as palavras eu acho
não sei o que você é nem sei como a gente parou aqui
eu quero sentir vergonha de me despedir
poder ver meu frio na barriga quando nos afastamos
quem sabe com um casaco acolchoado e uma treta mal resolvida eu possa ficar perto
o sol queima minhas costas
enquanto a experiência come solta
e o papo fica tosco pra abrir espaço entre nossos olhos
“quebrando tudo não, no maior respeito”


direções transversais ao ponto ângular subsequente

04/29/2015

É muito fácil deixar-se enganar pelas coisas que a sua cabeça diz, muito confortável distorcer a ética dos pensamentos, pra se acalmar, pra se aceitar. Em você reside alguém que só aparece em solidão, em você reside alguém que você não conhece bem, alguém que quer, alguém que pensa em coisas que você ri quando passam por você, mas ri de nervoso. Talvez nessa hora você se encontre com a vida, e na reflexão do lago de si você vê as coisas que não se foram, que você trás, sem saber, desde que as absorveu.

Queria ser capaz de entender como eu me sinto sem ter que descer lá em baixo pra me buscar.

“hoje, por

um segundo,

eu 

te esqueci

completamente”


segura que eu tô chegando

04/03/2015
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“a verdade pela metade é uma forma de engano; tal como a liberdade; pela metade é uma forma de despotismo;”

Quais das coisas que acontecem entre nós não são uma consequência de movimentos da mente? Eu, direto, acabo pensando no quanto o mundo exterior e seus desdobramentos fazem parte dos pensamentos, as coisas que não podem ser por pequenos dilemas por nós mesmos criados e nunca resolvidos. O que te resta se você não levar em conta as coisas do mundo? Como você lida com você ser a única coisa que você vai conhecer ou descobrir? Somos um, mas você aguenta ser um só? Não se sente sozinho?

Em sonhos eu tenho visitado lugares diferentes, tenho ido onde nunca fui, talvez pra poder pensar o que nunca tinha pensado, quiçá pra ser o que antes não era. As ondas tem passado enquanto sinto que a praia fica numa plataforma subterrânea, onde espero pacientemente o trem passar. O trem não vem, às vezes aparece mas esquece de parar, vejo as janelas que parecem infinitas de tão iguais passarem na minha frente, as vejo por tanto tempo que duvido que o trem um dia acabe, mas com um movimento natural me vejo novamente numa estação vazia. Sobra então o que o vento do trem soprou, papel e poeira lentamente se recolocando no espaço irritado pelo movimento dos vagões. Estou na estação observando o movimento, procurando matar o tempo, me distrair.


reaparição desajustada em sintonia

12/07/2014

O problema é que depois dessas tempestades que se dão na superfície de minha cabeça, quando começo a me sentir menos envolto em nuvens me parece que meu espírito está se revigorando e nesse movimento ascendo à um estado de paz muito frágil, que quase sempre não tem chance contra os tremores lá de cima. As tempestades logo trovejam, novamente, e eu recomeço a rolar morro abaixo enquanto vejo o que acontece: meu espírito novamente se revigora “por si”, sinto-me melhor por alguns instantes quando os tremores já chamam a chuva de volta. Às vezes tenho a sensação de que se eu deixar isso acontecer, pode acontecer para sempre, sem que eu precise parar para comer ou dormir. É claro que todo mundo que chora já sentiu algo parecido, eu imagino.

Eu tenho (porque quero) que me reorganizar. E quero porque posso, não o contrário, o que me deixa em interrogação, e segue assim o jogo.