
O medo das limitações futuras me corrói e me inspira, todos os filmes que eu vejo, as músicas que ouço, as histórias que me contam, todas elas me dizem cada vez mais para aproveitar o que me resta enquanto há algo pra restar, enquanto há algo pra ter. Uma corrida, uma música, um raio, um raptor, um pomar, um filme… Cada parte, cada detalhe de uma história interminável que monta pessoas e modos de pensar por gerações e gerações, não como uma corrente que afeta poucos de um modo só e para no último, mas como uma explosão que mata uns e cura outros, de um jeito bonito e único. Não estou vivendo a vida de nenhuma outra pessoa, não estou vivendo para alguma coisa, só estou vivendo, e vivo do jeito que dá, tentando querer um jeito de me manter do jeito que eu quiser.
Um velho de cabelos brancos e compridos, que não passam do ombro, mas dão um ar diferente, uma bela barba malfeita que deixa a mostra o desenho, e um hábito adquirido na adolescência e nunca mais deixado pra trás, vive do dinheiro que o governo lhe dá por serviços prestados e não é mais prestativo a ninguém. Vive revivendo seu passado no pomar que mantem vivo atrás da casa, que lhe rende algumas frutas para as horas mais vazias. Amigo das pessoas da pequena cidade, continua ali, sendo apenas mais uma peça interessante pra quem está de passagem, e um velho amigo pra quem o conhece de longa data. Ali, sentado na sua cadeira de balanço ou na máquina tanto usada que hoje serve apenas para a diversão… Ah Itália, como é bom sentir você.












